Conversando sobre as tragédias com as crianças

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Estamos todos tomados pelo impacto da notícia sobre a queda do avião. O país está de luto e a grande maioria de nós chora ao assistir as reportagens na televisão ou na internet.

E as crianças pequenas, que ainda não entendem com clareza o que está acontecendo, mas também não deixam de ouvir sobre tudo o que acontece? Como devemos nos posicionar com os pequenos?

Antes do 3 anos, só responda se for perguntado porque está chorando ou porque todos estão tristes. Sempre responda a verdade, sem estender o assunto. “Estou chorando porque estou triste”, “ estamos tristes porque algumas pessoas não vão mais voltar para as suas casas”. Ela se contentará com a resposta que você der, apesar de poder estender o assunto. Mas de fato ela ainda não entende o conceito de morte e de perda ou luto.  Por isso respostas objetivas e verdadeiras de acordo com o seu bom senso devem ser dadas tranquilamente.

Por voltados 5 ou 6 anos a criança já começa a entender melhor que a morte faz parte de nossas vidas e que quando morremos nosso corpo não funciona mais. Podemos explicar usando histórias e livros infantis especializados sobre o tema. O fundamental é sempre contar a verdade.

A criança pequena tem a capacidade de captar todas as emoções humanas. Costumo dizer que são verdadeiras antenas ligadas 24 horas por dia. Sabem quando estamos bravos, tristes e impacientes. Elas captam nosso “clima” e nem sempre conseguem ter claro dentro delas o motivo pelo qual estamos nos sentindo assim.

Por isso, não adianta mentir. Dizer que não está brava quando você está, só confunde a percepção da criança que mais tarde poderá ser um adulto que lida com suas próprias emoções de forma confusa também e não consegue identificar o que sente ou como sente.

Diante de tragédias como esta, é importante não esperar pelas perguntas para falar sobre o assunto, já que o assunto estará em todos os lugares aos quais a criança tiver acesso. Na TV, no rádio na internet, falarão sobre isso por muitos dias.

Na cidade de Chapecó, por exemplo, não haverá como evitar o tema para os pequenos. Infelizmente, precisamos nos preparar para cuidar do que nossos filhos recebem de informação do mundo.

Falar sobre o assunto, numa conversa do tipo: “Filho (s/a/as) nós estamos tristes porque um avião caiu e dentro dele estavam os jogadores de um time chamado Chapecoense. Estes jogadores morreram, e por isso todos os outros times e todas as pessoas que conhecemos estão tristes também”. Falar algo do tipo e esperar pelas perguntas, pelas explicações que ele vai pedir deve ser tranquilo e natural. Evite dar ênfase aos detalhes e se puder, tente conversar de forma tranquila. O que não souber, diga que não sabe e que quando souber, vai lhe contar. Falar com os filhos pequenos de forma que eles consigam entender, é o mais adequado que se faz sempre, em qualquer situação e por mais difícil que seja.

Gosto de dizer sempre que a parte adulta da relação somos nós e temos de ser responsáveis por eles e pela formação emocional que eles têm.

Quanto maior a criança, mais fácil será conversar. Lembrando sempre que se aparecer alguma dificuldade ou se você não souber exatamente como lidar com o problema, buscar ajuda profissional é sempre o mais indicado. Psicólogos infantis fazem um trabalho de orientação de pais que é breve e focado no tema específico. Conte comigo para orientações também.

Nossos filhos serão no futuro o reflexo do que transmitimos a eles na infância. Por isso, ser verdadeiro e acolher as suas necessidades, refletirão em adultos mais seguros e equilibrados emocionalmente.

**imagem Google

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