Gratidão

Em minha trajetória atendendo pessoas dos mais diversos perfis emocionais, sempre gosto de pensar sobre os sentimentos. Acho que não aprendemos a falar abertamente sobre o que sentimos e este é o meu trabalho.

Sempre gosto de explicar que “sentimento é sentimento”, não é em sua origem (pessoal e intransferível) bom ou ruim, certo ou errado, positivo ou negativo. O que o difere segundo estes padrões é a sensação que o sentimento causa em nós. Excesso ou falta é que são o nó emocional que desatamos, principalmente num processo de autoconhecimento, quando a pessoa percebe que um ou outro atrapalham o bom funcionamento da vida.

O que me trouxe aqui é o sentimento de gratidão, que é tão expressado nas relações atualmente. Virou quase uma mania agradecer a tudo e todos sempre e usa-se esta palavra como forma de saudação e nas despedidas: ao invés de dizer “tchau”, agora se diz “gratidão” – não é certo ou errado, o que eu penso é se esta palavra tão importante e única passou a ser usada corriqueiramente, ocupando o lugar de outras.

Acredito que gratidão seja um sentimento muito íntimo, diferente de outros como a raiva que basta dizermos o nome que todos sabemos como é na mesma hora conseguimos perceber. Gratidão, cada um sente de sua forma particular e a expressa também de um jeito pessoal. Para mim, é um sentimento presente em grande parte de minhas atitudes, mesmo quando eu não consigo expressa-lo. Acredito que faltem palavras para definir esta sensação e sempre tenho a impressão de que o que quer que eu diga não chega nem perto do que eu sinto quando me sinto assim.

Gratidão é sentir uma sensação que tem algo de alívio e aconchego, como se eu dissesse dentro de mim: “Ufa, que bom”. É como um acolhimento que pode ter ou não outra pessoa como referência. Já senti gratidão pela natureza, pelo calor e pelo jardim florido cheio de pássaros. E se você prestar atenção, já deve ter sentido isso, não é?

Embora tenha comumente uma significação religiosa, o sentimento é em sua essência livre de conceitos estabelecidos por nós. Ele surge, se manifesta dentro da gente e podemos ou não demonstra-lo, de tão gostoso que é sentir.

Ser grato é aceitar que algo que está fora de nós nos toca e nos emociona, é nos colocar em sintonia emocional com o que nos causou o sentimento, é se conectar pela emoção com outra pessoa, ou com outras, ou com nosso mundo interno. E isso é realmente muito prazeroso.

Ontem, quando eu divulguei este trabalho, recebi inúmeras manifestações de carinho e embora eu acredite que as palavras não sejam suficientes para traduzir a minha gratidão, eu me senti tomada por alegria e acolhimento, que me deixaram plena de emoção.

Por isso, quero aproveitar o sentimento presente em mim e agradecer a cada um dos meus pacientes, os que ainda estão comigo e os que já estiveram desde 1996, pois são nossas conversas que me inspiram a escrever este blog e a alcançar outras pessoas que passam por situações semelhantes às de todos nós. Vocês são fundamentais em minha vida muito mais por me ensinarem tanto e tanto, do que pelo que aprendem comigo. Este blog é pra vocês!

 

 

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